Publicado em 17 de maio de 2020 | Transtorno bipolar

Conheça os sintomas e o tratamento do transtorno bipolar

O transtorno afetivo bipolar é uma doença complexa que pode causar alterações perturbadoras no humor, energia e nos níveis de atividade do portador. Estas alterações são cíclicas, dividindo-se em fases de mania ou hipomania e depressão (podendo haver períodos assintomáticos entre elas).

Assim, na fase de mania ou hipomania, ocorre uma elevação anormal do humor, bem como aumento de energia e atividades do indivíduo. Podem ser observados no momento maníaco:

  • Estado de euforia; 
  • Aceleração do pensamento e da fala;
  • Agitação psicomotora e hiperatividade;
  • Pouca necessidade de sono;
  • Aumento da libido;
  • Diminuição da concentração;
  • Desinibição;
  • Impulsividade;
  • Comportamento agressivo;
  • Mania de grandeza.

Por outro lado, na fase de depressão, os níveis de energia e humor caem drasticamente, se assemelhando a um quadro depressivo. São características comuns da fase depressiva:

  • Alteração no apetite;
  • Perda ou ganho de peso;
  • Humor deprimido na maior parte do tempo;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Apatia ou tristeza profundas;
  • Perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
  • Redução significativa da libido;
  • Tendência ao isolamento social;
  • Sentimento de frustração e falta de sentido para a vida;
  • Esquecimento;
  • Ideias suicidas.

Sendo uma doença imprevisível, as crises variam muito com relação à frequência, intensidade e duração dos sintomas. Em casos mais graves, podem estar presentes sintomas psicóticos como alucinações e delírios.

Tipos de transtorno afetivo bipolar

De acordo com manuais internacionais de classificação diagnóstica, como o CID-10, o transtorno bipolar pode se manifestar nas quatro formas abaixo:

Transtorno bipolar tipo I

Neste caso, o indivíduo apresenta um quadro intenso de mania que dura no mínimo sete dias, e sua fase de humor deprimido dura de duas semanas a vários meses. 

Ambos os períodos são intensos e marcados por grandes mudanças comportamentais que podem resultar em diversos conflitos no dia-a-dia do portador. Isso acontece tanto no que se refere à relacionamentos familiares e afetivos, quanto com relação ao seu desempenho profissional. 

Além disso, o quadro pode ser grave a ponto de pôr em risco a segurança do doente e de pessoas próximas, exigindo, em alguns casos, a internação hospitalar.

Transtorno bipolar tipo II

Neste tipo de transtorno os sintomas são menos intensos do que no tipo I. Há uma alternância entre as fases depressivas e de hipomania, que não costuma acarretar maiores prejuízos para o desempenho das atividades da pessoa.

Os sintomas da hipomania são semelhantes ao da mania, porém se diferem com relação à intensidade: em geral a crise é mais leve e dura apenas alguns poucos dias.

Transtorno bipolar não especificado ou misto

Aqui os sintomas indicam o diagnóstico de transtorno bipolar, todavia estes não são suficientes. Nem em quantidade e nem no tempo de duração, para que se classifique como alguma das modalidades acima.

Transtorno ciclotímico

Este é o quadro menos intenso do transtorno bipolar, caracterizado por oscilações crônicas de humor, que podem ocorrer durante o mesmo dia. Aqui há a alternância de sintomas de hipomania e de depressão leve, que são muitas vezes tidos como próprio do temperamento do indivíduo.

Causas

Não há uma resposta única que explique satisfatoriamente qual é a causa do transtorno afetivo bipolar. Todavia, já foi estabelecido que fatores genéticos, alterações cerebrais e nos níveis de determinados neurotransmissores têm correlação com este distúrbio.

Igualmente, está comprovado que alguns eventos podem desencadear a ocorrência deste transtorno em pessoas geneticamente predispostas, como por exemplo:

  • Episódios frequentes de depressão;
  • Puerpério;
  • Estresse prolongado;
  • Remédios inibidores de apetite;
  • Disfunções da tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo).

Diagnóstico

O diagnóstico do transtorno bipolar é feito de forma clínica, com base na história e no relato dos sintomas do indivíduo.

Ele pode levar um tempo para ser efetuado, tendo em vista que os sintomas muitas vezes são semelhantes aos da esquizofrenia, depressão, síndrome do pânico ou outros distúrbios de ansiedade.

Além disso, exames físicos também podem ser recomendados, a fim de se descartar outras patologias.

Tratamento

O transtorno afetivo bipolar não possui cura, mas pode ser controlado. Um tratamento eficaz inclui:

Uso de medicamentos

Medicamentos neurolépticos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, ansiolíticos e estabilizadores de humor, especialmente o carbonato de lítio, são indicados para reverter os quadros agudos de euforia e evitar a recorrência das crises.

Psicoterapia

A psicoterapia é importantíssima para ajudar o portador do transtorno a lidar melhor com as características da doença, prevenir as crises e manter adesão ao tratamento médico.

Determinadas mudanças de hábitos

Como por exemplo, parar de consumir substâncias psicoativas (como álcool, cocaína, cafeína e anfetaminas), se alimentar de maneira mais saudável, priorizar o sono e reduzir os níveis de estresse.

Conclusão

Como foi possível perceber, os sintomas apresentados no transtorno afetivo bipolar são muito parecidos com a de outros quadros clínicos psiquiátricos. Como exemplos temos: a esquizofrenia, a depressão e distúrbios de ansiedade. 

Por isso, a fim de ter um correto diagnóstico, o acompanhamento de um profissional é essencial. Ainda que a doença não tenha cura, ela pode ser controlada por meio de um tratamento adequado de longo prazo.

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