Publicado em 17 de maio de 2020 | Ansiedade

Transtorno de ansiedade: causas, tipos e tratamento

A ansiedade é um sentimento natural e inerente ao ser humano. Ligada ao medo, ela acontece a partir de um mecanismo evolutivo responsável por provocar determinadas reações em nosso corpo quando estamos frente a situações que percebemos como ameaçadoras. 

Estas reações, por sua vez, nos auxiliam a reconhecer o perigo e a estarmos preparados para lidar com ele. Todavia, quando desregulado, este recurso pode trazer mais problemas do que soluções. 

Para identificar se o estado ansioso é normal ou patológico, deve-se observar a frequência com que os sintomas ocorrem, sua duração, o que os motivou, bem como sua interferência na vida cotidiana do indivíduo em questão.

Os medos e a preocupação experimentados por uma pessoa com transtorno de ansiedade costumam ser intensos, persistentes e desproporcionais, ou seja, ocorrem sem a existência de um motivo relevante que os justifique. 

De maneira geral, os sintomas trazem muito sofrimento, com reflexos físicos e mentais, podendo chegar ao ponto de se tornarem incapacitantes para o indivíduo.

Quais são as causas?

Os transtornos de ansiedade envolvem fatores psicossociais e biológicos.

Fatores psicossociais

No dia-a-dia podemos encontrar diversas situações que envolvam perigo ou ameaça, como por exemplo, assaltos, trânsito caótico, problemas de saúde/financeiros, entre outros. Nestes casos, o estado de alerta pode ser importante para a preservação da integridade da pessoa.

No entanto, pessoas com ansiedade patológica podem superestimar a situação ameaçadora ou até mesmo apresentar os sintomas da ansiedade em uma situação comum, como em eventos sociais ou ao viajar de avião.

Assim, a maneira como as situações são interpretadas pelo indivíduo contribuem para a possibilidade de surgimento de algum dos transtornos de ansiedade.

Fatores biológicos

Em situações de estresse, o corpo libera substâncias como noradrenalina e cortisol, que ativam a atenção, aumentam a pressão sanguínea e batimentos cardíacos, a fim de preparar o organismo para reagir a determinado perigo ou ameaça.

Vários neurotransmissores exercem papel fundamental no controle dos efeitos desta resposta ao estresse. 

No entanto, pode-se considerar a serotonina e o ácido gama-aminobutírico (GABA) como os mais importantes neurotransmissores inibitórios para controlar a ansiedade. Assim, eventual diminuição do nível desses neurotransmissores, podem propiciar o surgimento de um distúrbio de ansiedade.

Quais os tipos de transtorno de ansiedade?

Podemos classificar os tipos de transtorno de ansiedade em:

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

É caracterizado por uma ansiedade intensa e permanente com relação à eventos cotidianos. As pessoas com este quadro tendem a esperar por um desastre a qualquer momento, e se preocupam excessivamente com uma série de eventos corriqueiros relacionados à saúde, finanças, família, relacionamentos. 

Normalmente, o quadro costuma ser acompanhado dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

Transtorno ou síndrome do pânico

Este transtorno se caracteriza por episódios abruptos e inesperados de medo e desespero, também conhecidos como ataques de pânico. Nestes episódios, a pessoa tem a impressão de que vai morrer ou perder o controle.

Os ataques são recorrentes e podem incluir sintomas como sudorese, tremores, falta de ar, sensação de sufocamento, taquicardia e sensação de desconexão com a realidade.

Como estes ataques são repentinos, o portador, além de sofrer durante as crises, sofre por não saber quando eles irão ocorrer novamente. Isto faz com que, muitas vezes, suas atividades habituais e qualidade de vida sejam seriamente prejudicadas.

Agorafobia

A agorafobia está diretamente relacionada com o transtorno de pânico. Porém, neste caso, a pessoa relaciona a ocorrência dos ataques de pânico à determinadas situações ou ambientes e passa a evitá-los, com medo de que ocasionem uma crise.

Diversas situações podem desencadear o processo, como por exemplo, enfrentar congestionamentos, passar por túneis e pontes, viajar por estradas desertas, entre outros.

Fobia social

Indivíduos com este distúrbio apresentam um medo excessivo com relação a situações sociais – basicamente têm medo de ser julgados por outras pessoas. São inseguros nos relacionamentos interpessoais e se sentem muito nervosos em ambientes sociais. 

Transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC

Caracteriza-se pela presença de crises recorrentes de obsessões (sentimentos e pensamentos persistentes e incontroláveis) e compulsões (rotinas ou rituais). A obsessão faz com que ideias, pensamentos e imagens se repitam na mente da pessoa, involuntariamente. 

E o único jeito que a pessoa encontra para se livrar delas é realizando um ritual, com regras rígidas, a fim de aliviar a ansiedade. Normalmente, os rituais relacionam-se a atividades de limpeza, checagem, contagem, organização, simetria, podendo variar ao longo da evolução da doença.

Quais as melhores formas de tratamento da ansiedade?

O acompanhamento psicoterápico é parte fundamental no tratamento dos sintomas de transtornos de ansiedade. Por meio de diversos tipos de terapia, pode-se analisar o caso específico e identificar o fator desencadeador do distúrbio, para então trabalhar em cima dele.

Em alguns casos, o uso de medicamentos também pode ser indicado, sendo necessário o acompanhamento de um psiquiatra.

Além destes tratamentos mais específicos, hábitos como a inclusão de atividades físicas na rotina, uma alimentação saudável, descanso adequado e momentos de lazer podem ser muito benéficos para uma melhora do quadro clínico.

Conclusão

É importante saber que sentir ansiedade em determinados níveis e momentos da vida é absolutamente normal. Todavia, quando estes sintomas se intensificam e tornam-se desproporcionais, pode ser hora de procurar ajuda. 

Existem diversos desdobramentos de transtornos ansiosos, e identificar as especificidades do seu distúrbio, com o auxílio de um profissional, possibilita aderir a um tratamento eficaz para o seu caso.

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